sábado, 10 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Falei e pronto!

Eu não acredito que no meio desse caos todos que estamos vivendo aqui no Rio de janeiro, ainda vai ter jogo hoje no Maracanã.
Falta bom senso ou eu que sou louca de pensar que isso não faz o menor sentido?
Baseada em qual justificativa plausível isso não poderia ser adiado?
Eu não entendo nada de futebol, nem de calendários de campeonatos. Entendo de gente.
E o que temos agora é um monte de gente sofrida e sofrendo.
Não deveríamos estar com nossos reforços todos concentrados nas áreas que sofreram e que ainda sofrem?
É por isso não acredito que algo vai mudar na esfera do poder.
Então só me resta crer que individualmente, cada um de nós, é que temos que mudar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sem lei no caos

Nunca presenciei tanta chuva estando na rua.
Me senti numa cidade sem lei.
Lembrei do livro " O ensaio sobre a cegueira" de José Saramago.
Lá o caos é retratado de forma tão surreal que nos faz temer a própria humanidade.
Ontem me senti assim com medo das pessoas também.
Parecíamos insanos numa cidade caótica.
Enquanto alguns largavam seu carros, outros iam na contramão.
Enquanto uns choravam, outros se arriscavam.
Eram tantas pessoas andando na rua.
Eu olhava para seus rostos e em cada um via uma expressão diferente. De alguns eu tinha medo e com outros me solidarizava.
Fechei os vidros.
Entendi que é mais do que óbvio que não existe autoridade ou poder maior numa sitação de caos.
O que manda é o instinto selvagem mesmo.Cada um faz a sua própria lei e pronto.

domingo, 4 de abril de 2010

Todo dia igual a todo dia....

Ela nunca coloca o despertador.
Acorda descabelada e sai correndo pela casa.
Procura o banheiro e joga água na cara.
Fala um dialeto estranho e enrolado.
Ninguém entende e ninguém dá ouvidos.
O café agora morno é o que resta.
Graças a Deus a marmita empacotada está.
Agora é só bochechar bastante e lavar os dentes.
Não dá nem tempo de sorrir para os vira latas.
É que o 241 tem saído no horário.
Deixa para curar a fome matinal com o pão de queijo na esquina da descida do ônibus.
Até lá é melhor nem pensar.
Sua única promessa em pensamento é que mais tarde ao voltar para casa, ela vai colocar o despertador.
Será?

By Fabíola Sant`Ana

Crianças capitalistas selvagens

Chocolate?
Esconde-esconde
Achou?
Radinho, microfone, carrinho.
Que criança quer chocolate?
Abre o ovo, tira o brinquedo e enfia tudo na geladeira.
Seu coelhinho, olha lá que você vai trazer?
A páscoa é de brinquedo, não esquece?
Tudo descartável.
Crianças capitalistas selvagens.
Culpa minha e sua.
Aqui são 10 ovos apinhados e mais 10 brinquedos jogados.
A verdade é que gostava mais na minha época onde chocolate era chocolate.
Pena que acabou.
Isso sem falar que as crianças hoje não fazem a menor idéia do verdadeiro sentido da data e o porquê da existência da mesma. Os pais também não sabem....

Natureza Humana

Já nem mesmo sei onde procurar e o que encontrar.
Já nem mesmo sei o que me leva, só sei que estou no caminho.
Já nem me lembro se um dia eu vi os detalhes que hoje eu percebo.
Já não compreendo como me acorrentei.
Essas amarras ilusórias me marcam mais do que uma tortura verdadeira.
Se não entendo nem o que sinto como posso entender o que pressinto?
São tantas coisas que não abro mão.
Não sei simplesmente ver a vida passar.
Eu retorno ao ponto de partida procurando por um novo começo todos os dias e todas as noites.
Eu não deixarei as noites perderem o seu sentido.
Eu me vejo maior do que isso, maior do que o zumbido, do que a vontade descabida de pensar em momentos onde a mente precisa descansar.
Eu até me proponho a rir de tudo isso. Eu quero rir mesmo, gargalhar até engasgar, me cansar, me jogar de corpo e alma e me entregar.
A fé eu não procuro, eu sei que a tenho.
Não canso de falar com Deus.
Eu me canso é de contar a mesma história todos os dias.
Isso tudo já está muito chato e já me encheu.
Então agora desabafei, embora sem rimas e sem refrões.
Nem sempre posso ser bela.
Nem sempre posso ser perfeita.
Mas sempre posso ser humana.
Natureza humana.....

Eu vejo a vida de cima de um muro alto

Eu vejo a vida de cima de um muro alto. Tenho a sensação que todos marcham.

De segunda a sexta você cumpre o protocolo profissional.

De segunda a segunda você cumpre o papel familiar. Esse é eterno enquanto você estiver aqui.

Hora pra acordar. Hora pra dormir. Sem hora marcada para pensar.

Ouvidos atentos a qualquer instante. Quando te chamam, você prontamente atende.

Vc desperdiça cinco horas no trânsito todos os dias. A corrente te leva. Vc nem ousa mas resmungar.

Veja os soldados marchando em direções opostas. Até se esbarram, mas não perdem tempo.

Dão passadas largas porque os ponteiros do relógio continuam em movimento constante e certo.

Não dá para parar quando tudo continua em movimento. Não ouse. Não se arrisque. Não contrarie.

por Fabíola Sant`Ana
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